Marlon Luz confronta diretor de empresa de marketing contratada pelo Ifood

Marlon Luz confronta diretor de empresa de marketing contratada pelo Ifood

Na última terça-feira, dia 2 de agosto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Aplicativos, da qual o vereador Marlon Luz é vice-presidente, retornou às atividades, após o recesso da Câmara dos Vereadores de São Paulo. A comissão recebeu Débora Freitas, secretária executiva do Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV), Douglas Tokuno, diretor da Waze Carpool no Brasil e Lula Guimarães, diretor da Benjamin Comunicação, contratada pelo Ifood para peças publicitárias. 

Marlon Luz iniciou a sessão direcionando uma série de perguntas a Débora Freitas, com objetivo de entender qual tem sido o papel do CMUV frente à regulamentação de motoristas de aplicativos e OTTC´s (Operadoras de Tecnologia de Transporte Credenciadas) na cidade de São Paulo. 

A secretária apresentou uma série de dados surpreendentes. Somente no mês de julho foram cadastrados 12.111 novos carros na plataforma Uber, o que totaliza uma média de 391 novos carros por dia. A pedido do vereador, a CPI também apurou que neste mesmo mês 187.017 carros realizaram corridas na cidade. A coleta de tais dados é importantíssima para que Marlon Luz possa realizar uma apuração minuciosa, que será destinada a criação de uma nova regulamentação do município de São Paulo para o cadastramento de motoristas de aplicativos. 

Durante o depoimento de Débora, o vereador reiterou a lei 17.596/21, de sua autoria, que proíbe que o motorista seja banido de qualquer plataforma sem que haja legítima defesa, e buscou entender quais as providências tomadas pelo CMUV para garantir que a lei seja aplicada. Ele também questionou sobre os diversos relatos que vem recebendo de motoristas, que alegam não ter recebido o curso de formação de condutores por parte das plataformas. 

“Disponibilizamos um e-mail, que serve como canal de atendimento, para que os motoristas possam entrar em contato e denunciar qualquer banimento irregular das plataformas. Quando recebemos a solicitação, verificamos se o banimento está dentro da legislação e, caso não esteja, entramos em contato com a plataforma. Em relação ao curso de formação, não sei responder se as plataformas continuam disponibilizando. Quando recebemos solicitações dos motoristas, fazemos o trâmite dentro do site da própria prefeitura, para que assim eles possam fazer o treinamento na modalidade presencial ou on-line”, explicou Débora. 

Waze Carpool confrontada pelo vereador Marlon Luz

Douglas Tokuno, diretor da Waze Carpool no Brasil, explicou sobre o funcionamento da modalidade de compartilhamento de viagens na cidade de São Paulo, e destacou que a empresa não busca concorrer com aplicativos como Uber e 99app, visto que é direcionada a motoristas que não são profissionais. 

Quando questionado pelo vereador Marlon, o diretor esclareceu que o propósito da plataforma é unir pessoas que já estão realizando rotas, com usuários que precisam de carona. “Foram realizadas 140 corridas por dia em São Paulo durante o mês de julho. Nós só fazemos a intermediação de contato e pagamento dos usuários. A plataforma não foi desenvolvida para que as pessoas pudessem realizar lucro. O motorista cadastrado só pode realizar duas corridas por dia, com um valor simbólico. Inclusive, motoristas de táxi e de aplicativo não podem fazer uso da ferramenta.”

Ao revelar que a empresa não é cadastrada como OTTC, e ser pressionado por Marlon quanto ao decreto 56.981 de 10 de maio de 2016, que deixa claro que se a empresa é destinada somente a caronas solidárias, existe a necessidade do cadastramento na cidade de São Paulo, Douglas ficou sem palavras. 

“Sugiro que você e a empresa averiguem sobre a necessidade do cadastramento na prefeitura. Minha equipe fez uma pesquisa e descobriu que existe sim essa necessidade, mesmo que vocês estejam apenas focados em caronas. É importante que vocês sempre estejam atentos quanto a isso”, disse Marlon Luz. 

Empresas contratadas pelo Ifood para espalhar fake news

Duas empresas de publicidade também foram convocadas a prestar depoimento, porém, ao apresentarem um habeas corpus, decidiram permanecer caladas frente a todos os questionamentos. 

Tais empresas enfrentam acusações por terem usado as redes sociais para desmobilizar as manifestações de entregadores a mando do aplicativo Ifood. Além da criação de diversas fake news relacionadas aos representantes das manifestações, utilizadas para desmoralização dos mesmos, as empresas publicitárias também usaram de outras pautas, como a vacinação prioritária para os entregadores, para desviar atenção das reivindicações dos trabalhadores.

“Lula Guimarães foi responsável pela campanha presidencial de Eduardo Campos, Marina Silva (2014) e Geraldo Alckmin (2018). Ele entende bem de campanha de marketing político e, inclusive, o que ele está fazendo hoje, é provavelmente o que ele orienta aos políticos quando são confrontados: ficar em silêncio, ao invés de prestar satisfação pública quanto ao trabalho que está sendo feito. O que me impressiona é o Ifood, contratando empresas para mudar a opinião pública e ferrar o que chamam de parceiros. Gostaria de deixar claro meu repúdio a esse tipo de comportamento e a falta de respeito com o poder público. Esse é o tipo de parceria que o Ifood gosta. Não é a parceria do entregador. Os entregadores e motoristas de aplicativo não são parceiros, essas empresas que são”, ressalta Marlon. 

Lembrando que você acompanha a CPI dos Aplicativos até o final de 2022, todas as quartas às 11h da manhã, pelo canal do Youtube da Câmara Municipal de São Paulo ou pelo resumo no canal do Youtube do Vereador Marlon Luz, na hora que desejar.

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Maria Clara Silveira

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